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A importância da Ciência Política analisar o processo eleitoral e a influência das mídias sociais e a representação política no Brasil a partir dos novos desafios que estão sendo colocados pelas recentes transformações.
( Ensaio produzido para a participação do Fórum da disciplina de Ciência Política, do curso de Sociologia – Licenciatura da Unopar)
 
Valdir dos Santos Lopes
 
O uso das tecnologias de informação e de comunicação, junto com as redes sociais em pleitos eleitorais, é um fenômeno interessante para que a Ciência Política observe, analise e reflita. Em especial o objeto denominado "Fake News" que nas eleições de 2018 foi mote de inúmeras discussões e acusações entre os concorrentes e partidários.
 
Já que a sociedade contemporânea elegeu como palco de discussão (será que elegeu?), à semelhança da Àgora grega, as redes sociais, e suas vozes, hoje em dia,  são tão efusivamente distribuídas e rapidamente disseminadas para qualquer parte que se queira, percebe-se a oportunidade de observar como se dá a relação das inúmeras vozes conflitantes, a defenderem seus valores, com o seu público alvo, que, no caso das eleições, tem o papel de ser convocados, agrupados, arrebanhados, associados e/ou arregimentados em grupos a favor de um determinado princípio e contra ao diametralmente princípio oposto. Observar a agremiação de pessoas sobre determinados princípios e a motivação das mesmas em expor, muitas vezes de formas extremadas, aquilo que acreditam.
 
Entender essas relações, como são formados esses grupos e como se movimentam num cenário político de jogos, por vezes extremados, de palavras, ideias e concepções do mundo e da sociedade, pode permitir a compreensão desse mesmo “novo” indivíduo constituinte da sociedade e constituído por ela.
 
Num processo dinâmico, muitas vezes tão rápido a ponto de favorecer a “acriticidade” dos movimentos e ações, a sociedade democrática de informação, munida de seus novos instrumentos de vozes e espaços, apresenta uma ebulição de novos sentidos e significados a serem investigados. Se a democracia foi um desafio para a instituição escolar, ao receber todos num mesmo espaço de aprendizagem, imagine agora o espaço democrático onde todos possam expor suas ideias, crenças, direções. Noberto Bobbio, filósofo político italiano afirma:
 
"Sociedades democráticas são sociedades que toleram, ou melhor, que pressupõe a existência de diversos grupos de opinião e de interesse em concorrência entre si; tais grupos às vezes se contrapõem, às vezes se superpõem, em certos casos se integram para depois se separarem; ora se aproximam, ora se dão as costas, como num movimento de dança" (1995, p. 35 )
 
O fato de deturpar as ideias ou imagem do concorrente em favor de uma ideia oposta não é um processo novo, já que há muito, na história da civilização e da sociedade, percebe-se movimentos ideários de difamação, desconstrução e desvalorização do outro em prol da hegemonia daquilo que se defende. É a criação do inimigo, onde se você não está comigo, é contra minhas posições.  Falácia sempre presente nas rinhas políticas partidárias, acentuada e iluminada com os novos sistemas de informação e a rapidez na divulgação de dados. Assim continua Bobbio:
 
"A própria categoria da política é representada, em uma bem conhecida teoria, pela díade ‘amigo-inimigo’, que resume em nível da mais alta abstração a idéia da política como espaço do antagonismo, cuja forma extrema é a guerra, que é naturaliter dicotômica (mors tua vita mea)" (1995, p. 66)

 
 
REFERÊNCIA
BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1995
 
valdirfilosofia
Enviado por valdirfilosofia em 20/02/2019
Alterado em 20/02/2019
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